quinta-feira, 30 de julho de 2009

Tarapaca Gran Reserva

Este tem sido o vinho Chileno que mais tomei até hoje. Se estas a procura de vinho para ser chamado de encorpado, então não tenha dúvida. Este é um vinho bem encorpado. Encorpado, frutado, cai viscoso na taça. Ótimo para acompanhar carnes vermelhas bem temperadas, churrasco e coisas do gênero. Vinhão.
Ele é um varietal e é produzido em três uvas: Cabernet Sauvignon, Merlot e Carmenere.
Eu pessoalmente acho o Merlot o melhor deles, pois é mais redondo e macio.
Além disso há a opção também do chamado "etiqueta negra", que basicamente é o mesmo vinho porém que ficou mais tempo em barrica de carvalho.
Em minha opinião o rótulo branco é melhor (e mais barato também, pois normalmente o etiqueta negra custa o dobro do etiqueta branca).
O tempo a mais em barrica deixou o etiqueta negra com muito gosto de baunilha (exagerado mesmo).
No Rio de Janeiro este vinho volta e meia esta em promoção no Zona Sul por menos de R$40,00. Uma verdadeira pechincha. Encontrando, compre logo alguns e guarde na sua adega. Ele não é um típico vinho de guarda, mas aguenta bem até dois anos e fica muito bom. Sou fã deste vinho.





Enólogo, Enófilo, Sommelier. Quem são esses caras?

Já ficou na dúvida?

Esclarecendo então:

ENÓLOGO - O enólogo é formado na faculdade de enologia (a ciência que estuda os vinhos), é o técnico especialista em técnicas de vinificação e produção de vinhos. Normalmente trabalha na vinícola. Ele acompanha o desenvolvimento da videira, sua colheita, a fermentação do vinho, seu envelhecimento e seu envasamento.

A foto abaixo é de Michel Rolland, tido como o mais influente enólogo do mundo na atualidade. Ele presta seus serviços para dezenas de vinículas pelo mundo (Europa, Austrália, Argentina, Chile e recentemente para a Miolo no Brasil). Junto com Robert Parker é acusado por seus detratores de estar também "padronizando" os vinhos. Há inclusive um documentário chamado MODOVINO que basicamente descasca em cima dele. O filme é meio chato, mas vale a pena para se ter uma idéia melhor de como funciona o mercado mundial do vinho atualmente.



ENÓFILO - É um estudioso do vinho (ou amante). Aprecia e valoriza essa bebida, ou, ainda, se dedica profissionalmente ou por prazer a estudar o maravilhoso mundo dos vinhos. É o crítico da bebida. Degustador. Amante. Enófilo é diferente de enólogo, devido ao fato de que o enólogo é um graduado que cuida da produção de vinhos exclusivamente.

A foto abaixo é de um Enófilo não tão famoso como o Enólogo acima, mas com certeza um apaixonado por vinho e que vem tentando aprender o máximo que pode sobre o assunto. E degustando bastante também. Eu mesmo :)).




SOMMELIER - Este profissional é, digamos, o maître de vinhos de um restaurante e tem as seguintes tarefas: primeiro é de elaborar a carta de vinhos do restaurante onde trabalha, de acordo com a bandeira ou o estilo dos pratos. Evidentemente se for de culinária francesa, a carta dará mais ênfase aos vinhos da França etc. Em segundo lugar, fazer a manutenção dos vinhos na adega e as respectivas compras de reposição; em terceiro lugar, fazer o serviço do vinho aos clientes nos horários de funcionamento do restaurante, que compreende desde o atendimento inicial, auxílio da escolha do vinho na carta, seguindo pela abertura da garrafa e o serviço nas taças de modo elegante e preciso. Porém sua principal e mais difícil tarefa é a de fazer o aconselhamento do vinho que melhor se harmonize com o prato solicitado pelo cliente.

A foto abaixo mostra um Sommelier transpondo um vinho para um decanter. Esta técnica visa separar os sedimentos que podem estar na garrafa bem como permitir uma melhor aeração do vinho. Aplica-se em vinhos muito antigos que sem este processo não estariam em condições de serem bebidos.




No link abaixo tem bastante informações sobre o assunto e o site é bem legal:

http://www.sommelier.com.br/vinho/sommelier.htm

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Vinho caro é vinho bom?


Em complemento ao tópico anterior, acho que naturalmente esta pergunta surgiria.
Afinal, vinho caro é sinônimo de vinho bom?
Como diria o humorista, há controvérsias:

O mercado internacional de vinho andou muito inflacionado nos últimos anos, fazendo com que o preço de vinhos medianos fossem as alturas. Este fenômeno estava associado principalmente a crescente popularidade do consumo de vinho em todo mundo e é claro com os fenômenos especulativos típicos do capitalismo. Um vinho que custava cerca de U$25,00 ganha uma nota bem alta de um avaliador renomado. Pronto, de uma hora para outra este vinho já esta cotado a U$150,00, U$400,00 a garrafa. E as vezes vai a muito mais. Como disse no tópico anterior, deixa de ser vinho e torna-se objeto de desejo. Com a recente crise financeira mundial, a expectativa é que haja um retorno a normalidade dos preços. É esperar para ver.
Escritores famosos como Robert Parker, Jancis Robinson, Hugh John, especialistas reconhecidos no mundo do vinho, defendem a idéia de que vinhos com preços estratosféricos são uma imoralidade e aberração, mas eles mesmos ao comentarem sobre determinado vinho, dando-lhe boas referências, acabam por inflacionar o mercado.
E eles também juntamente com revistas especializadas como Wine Spectator, Decanter, etc... tem insistido de que o preço razoável por um bom vinho deva ser algo como U$20,00 a U$40,00 ou o equivalente em Euros.
Para a nossa realidade, com impostos de importação, algo entre R$40,00 e R$80,00.
Portanto o mito do vinho caro, como sendo um vinho muito bom tem mais a ver com sua valorização no mercado do que propriamente sua qualidade.
Eu pessoalmente faço a seguinte conta: acho muito improvável que um vinho de R$1.000,00 seja 20 vezes melhor do que um vinho de R$50,00. E caso seja, sinceramente não tenho competência para julgar.
Uma vez mais sendo bem prático, R$50,00 no Brasil, é um bom parâmetro para vinhos de qualidade e bons. Até R$100,00 você vai encontrar vinhos já de excelente qualidade e a partir dai é uma questão do bolso de cada um :)))
Mas, mantendo a pergunta, não quer dizer que todos os vinhos acima deste patamar serão bons.
Na verdade, eu particularmente acho que o legal e conseguir coisas boas a preços razoáveis.
Dia desses, tomei um Italiano Chianti, DOCG muito bom e estava por meros R$29,90. Um achado...
Concluindo: na faixa de R$20,00 provavelmente você não terá surpresas. São vinhos simples e pronto.
Entre R$40,00 e R$60,00 tem muita coisa boa, e é claro algumas porcarias com rótulo bonito.
Na faixa de R$100,00 e acima, você já encontra um número maior de vinhos muito bons mesmo.
Enfim, vá provando e formando sua opinião, pois não se esqueça, gosto é muito pessoal e não é porque o Robert Parker disse que é bom que você vai gostar e pagar mais caro por um vinho. Afinal seu dinheiro não dá em árvores certo?


A propósito, Robert Parker é considerado por muitos o maior especialista em vinhos da atualidade. Controverso e polêmico, tem sido acusado de estar "padronizando" os vinhos pelo mundo a fora, pois gosta de vinhos frutados e encorpados sempre com o mesmo jeitão.

Polêmicas a parte, só de curiosidade, seu nariz esta segurado por 1 milhão de dólares! Que nariz heim!



sábado, 25 de julho de 2009

Vinho de Guarda, o que é isto?

Quanto mais velho, melhor fica o vinho?

Duas questões bem pertinentes. Vamos esclarecer um pouco:

Começando pela segunda questão: Quanto mais velho, melhor fica o vinho?

A resposta é não. A imensa maioria dos vinhos que estão disponíveis nos supermercados e lojas são vinhos "prontos" para serem bebidos imediatamente. Isto significa que durante o processo de vinificação tentou-se obter o máximo de qualidade que este vinho poderia ter.
Sendo assim, ao guardá-lo por muito tempo (alguns anos, por exemplo), provavelmente este vinho estará pior do que quando comprado. Isto se aplica especialmente aos vinhos mais simples.

Alias, vamos fazer uma pausa neste tópico e definir melhor o que é um vinho mais simples:

"Trata-se de um vinho em que todo o processo de vinificação (desde a escolha das videiras e colheita até o possível envelhecimento em barricas de carvalho) é bem menos sofisticado e depurado. Podemos dizer que é um processo mais industrializado que visa a produção de grandes quantidades com qualidade apenas razoável. São vinhos para serem bebidos sem muita pretensão e é claro normalmente são vinhos bem mais baratos. Sendo bem prático, dificilmente você vai encontrar entre vinhos típicos como os Argentinos e Chilenos que custam de R$20,00 a R$40,0 algum que possa ser considerado um grande vinho ou que ao ser guardado por muito tempo venha a ficar melhor do que já estava."

Portanto, guardar aquele seu Santa Helena por muito tempo, vai lhe proporcinar ao final de alguns anos, apenas um vinho "morto": sem sabor e sem vida. Compre-o, guarde-o somente para mantê-lo e beba-o logo. Digamos que ficar com ele na adega mais de 6 meses já é um exagero.

Por outro lado, vinhos mais "complexos" são vinhos que foram produzidos com muito mais esmero (a colheita, por exemplo foi feita manualmente para que nenhuma uva fique machucada e comprometa o inicio da fermentação). A produção normalmente é bem pequena e este vinho passa por envelhecimento em barricas de carvalho (às vezes de diferentes tipos) e também na própria garrafa antes de serem colocados à venda. Enfim, são vinhos mais exclusivos e também mais caros.

Vinhos da região de Bordeaux e Borgonha na França, Brunellos de Montalcino e Barolos na Itália, são exemplos.

Estes vinhos mais "especiais" tendem a evoluir com o tempo alcançando seu auge alguns anos depois de sua vinificação. Este tempo varia muito, indo de alguns anos (5, 10 ou 25) ate 100 ou mais anos. São vinhos caríssimos e não acessíveis facilmente. Estes vinhos são vendidos normalmente em leilões em grandes casas na Europa e nos Estados Unidos. Algumas safras podem alcançar preços como algumas centenas de dólares até milhares. Enfim, deixam de ser "apenas" vinho e se tornam objeto de desejo de colecionadores.

Ha alguns anos, um vinho que supostamente que pertenceu a Thomas Jefferson (safra de 1787) foi vendido em um leilão na Christie's de Londres por U$156.000,00.

Isto não quer dizer que não possamos "guardar" alguns vinhos e desfrutar de sua evolução. Há também vinhos "normais" a preços muitas vezes acessíveis que podem evoluir e nos propiciar algumas surpresas.

Fiz uma experiência com um Cartuxa português, safra 2001 e gostei do resultado. Recentemente repeti a experiência com outro português, um ACR reserva, safra 2004. Havia comprado duas garrafas e na primeira o vinho estava um pouco agressivo, com os taninos muito presentes (prendendo a boca). Guardei-o por um ano e o mesmo ficou bem mais macio.

Para poder evoluir, o vinho tem que ter o que se chama de estrutura para isto. Esta estrutura, como disse acima, tem a ver com todo o processo de obtê-lo e que varia muito de vinho para vinho.

Para ter acesso a vinhos de guarda sem ser milionario, a fonte são lojas especializadas, revistas, sites, etc... Procure se informar e quem sabe ao longo de alguns anos você não venha a ter algumas preciosidades em sua adega.
A propósito, o vinho da imagem é um Romanée Conti (te lembra alguma coisa? :))), vinho de guarda e bem caro: Preço da garrafa safra 2004: R$ 10.980,00!




terça-feira, 21 de julho de 2009

Montado - Alentejo


Gosto muito deste vinho. É um vinho simples, porém muito agradável. Conceitualmente este vinho será então classificado como um tinto leve. Ele é produzido pela mesma vinícula que produz o Periquitá. Ele é um vinho de corte (assemblage) das uvas Trincadeira e Aragonês, uvas típicas de portugal. Para alguns ele é melhor que o Periquitá, até porque sua relação custo beníficio é muito boa, pois trata-se de um vinho bem em conta.
No Rio de Janeiro, o Pão de Açucar costuma tê-lo por volta de R$20,00.
Recentemente combinei este vinho com um peixe em molho de manteiga. Ficou muito bom. Ele vai muito bem também como um vinho de entrada e até mesmo para beliscar uns petiscos.
Recomendo.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Taças


Você já foi contaminado pela mosca do vinho. Não resiste mais a uma bela garrafa e sai comprando tudo que ve pela frente. Além disso, é claro, já comprou aquela adega para 72 garrafas e já esta colecionando um monte de vinhos bons....Mas na hora de tomá-los vai naquele copo de requeijão....fala sério. Ou então aquelas tacinhas da Casa e Video mais feias que bijuteria de cigana rsrsrsrsrs....Isso é o mesmo que beber cerveja em copo de plástico
Brincadeira...
A introdução é para na verdade dizer que vale a pena gastar um pouco mais e ter um jogo de taças bem legal. Cristal é claro.

Não precisa gastar um fortuna naqueles imensos conjuntos de 258 taças que você jamais vai ter onde guardar.
Um mínimo de duas de cada tipo (pois afinal tomar vinho sozinho é meio chato) e talvez 6 de cada tipo básico já são o suficiente.

As taças básicas que acho indispensáveis são as seguintes:

1 - Vinho Tinto - Devem ser bem grandes e levemente fechadas na boca. Isto propicia a tão importante aeração e concentração do vinho tinto que irá desprender todos os seus perfumes fazendo ele atingir sua plenitude.



A da imagem acima é o modelo básico e é muito boa.


2 - Vinho Branco - É consenso que para os vinhos brancos as taças devem ser menores, pois como o vinho branco é bem menos intenso em odores, uma taça grande iria comprometer isto. Além disso, por ser servido gelado, muito vinho na taça iria esquentar logo logo. Eu pessoalmente volta e meia tomo meus Chardonay em uma taça de vinho tinto. Servindo pouco a pouco. Eu acho que o vinho fica mais bonito nestas taças.
Mas vale a pena ter as menores.
Na imagem abaixo veja a diferença entre a para vinho Tinto e vinho Branco.




3 - Vinho Espumante - Champagne - Na imagem acima aparece também a taça correta para espumantes. Essa não tem jeito, tem que ser ela mesmo. Ela é chamada de "Flute" (flauta em francês). Este formato permite que as bolhinhas se formem mais elegantemente e durante mais tempo. Há algumas que tem a boca levemente fechada, o que ajuda a concentrar os perfumes do espumante. Eu prefiro estas.


Algumas coisas em geral:

1 - Evite taças que tenham desenhos ou pés/bases coloridas - elas atrapalham a visualização do vinho, pois estas cores e desenhos vão refletir no vinho.

2 - Não gele as taças, pois elas iram ficar "suadas" e que também atrapalha a visualização do vinho.

3 - Se for trocar de vinho, lave as taças para que os sabores/odores do vinho anterior não interfiram no próximo.

4 - Tanto para tintos como para brancos, nunca encha a taça até a borda. Nos tintos, mais ou menos 3 dedos é o suficiente.
Nos brancos, caso esteja usando taças menores, nunca acima da metade da taça;
Nos espumantes 3/4 da taça é uma boa medida.




Tim Tim......

domingo, 19 de julho de 2009

Adega Climatizada, ter ou não eis a questão!





Pois é, você tanto leu este blog, que já esta começando a gostar de vinho de verdade rsrsrsrsrsrs

Então, ter ou não ter uma adega climatizada?
Eu pessoalmente não saberia mais viver sem uma (aliás, duas, pois a primeira ficou pequena muito cedo).
Mas brincadeiras à parte, se você realmente se interessa por vinho, ter uma adega passa ser quase uma necessidade, principalmente para aqueles que moram em cidades mais quentes.
Este tipo de adega cumpre muito bem o papel de conservar o vinho tanto quanto a temperatura quanto a umidade.
Mesmo que você não venha a ter "vinhos de guarda" (falo disso em breve), mas resumidamente vinhos que irão evoluir com o tempo, manter algumas garrafas para o dia a dia sempre bem preservadas é muito legal.
Há no mercado inúmeras opções desde pequenas a bem grandes (até 100 garrafas) com preços variados também.
Basicamente o que há de diferente entre elas, além da capacidade, é o sistema de refrigeração utilizado:

1 - Adegas com compressor: estas fazem uso de um pequeno compressor de gás, da mesma forma que uma geladeira. O compressor é bem menor, pois as temperaturas desejadas e oferecidas normalmente são entre 10°C e 16°C.

2 - Adegas "eletrônicas": estas fazem uso de um sistema eletrônico de refrigeração, baseado em um efeito chamado Peltier (uma placa de silício quando energizada em um sentido esquenta, no sentido oposto esfria).
Este sistema tem limitações, pois sua potência é bem menor que um compressor, mas também consome muito menos energia e o ruído também normalmente é bem menor.
Só tenha atenção com marcas sem tradição, pois de um modo geral, mesmo as com marca são importadas da China e ai não é necessário muitas explicações certo?
O outro item importante é a qualidade/espaçamento das prateleiras. Há adegas que as prateleiras são muito ruins e ou o vinho pode cair facilmente ou garrafas mais bojudas não cabem.
Assim se for comprar pela internet, tente ir a uma loja e fazer uma "inspeção" primeiro.

Quanto a capacidade, ai vai valer suas pretensões. Se é para ter uma ou outra garrafa para eventualmente ter um vinho, uma pequena atende.
Se você é um "hardwine", o céu é o limite...

Mas considere poder por exemplo guardar algo como alguns tintos para o dia a dia, um ou outro branco, dois espumantes e quem sabe algumas preciosidades adquiridas em uma visita a Europa ou aos hermanos da Argentina...