domingo, 30 de maio de 2010

O Connaisseur Acidental - Lawrence Osborne


Uma viagem irreverente pelo mundo do vinho

Mais um livro que recomendo para áqueles que além de beber vinho apreciam também um pouco de informação e principalmente reflexão sobre.

Lawrence escreveu um livro gostoso de ler e muito divertido. Essencialmente ele nos descreve, num tom muitas vezes crítico e minimalista, uma série de visitas e entrevistas com donos de vinículas. Deste Robert Mondavi até pequenos produtores do interior da França.

Seu olhar nos leva a uma visão diferentes muitas vezes, daquela romântica dos pequenos produtores ou da pujança dos grandes.


Um trecho do livro:

"Então me ocorreu que talvez o que eu buscasse, ao tentar chegar ao que era gosto, fosse uma espécie de maioridade. Essa busca talvez não fosse outra coisa senão uma viagem para sair da infância. No caso do vinho, era uma peregrinação que nos afastava da doçura do leite materno e nos encaminhava para os sabores "não naturais" da velhice perversa (porém sublime)! Da doçura à secura; da simplicidade à complexidade; da certeza a ambuiguidade."

Este mes este livro esta por apenas R$12.90 no Submarino.com

Vale muito a pena....

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Impressões da Vida *


Vinho e Vida foi o nome que escolhi para este blog, pois não consigo imaginar uma vida bem vivida sem vinho.
O vinho tem o poder de fazer as coisas ficarem sempre bem melhores.
Não é porque se esta bêbado, pois afinal quem gosta de beber um bom vinho não o faz com a intenção de se embebedar.
É o conjunto, é a harmonia, é a conversa, é a companhia.
Vinho pede companhia sempre. Vinho pede comida, mesa farta, mesa frugal, não importa o que importa é o conjunto disso tudo.
A cada taça, a cada brinde, a cada nova experimentação acho eu, estamos então celebrando a vida, o prazer de viver bem, uma vida bem vivida.
Muitos tentam transformar isto num ato snob, chique, outros em coisa de gente rica, vinhos caros.
Mas nada disso, é apenas prazer, é apenas sensações boas, compartilhadas, vividas.

Me considero um felizardo, pois tenho muitas e muitas oportunidades de juntar estas coisas todas, e sempre ao redor de um bom vinho, não caro, não chique, um vinho que eu gosto somente isto.

E assim eu acho que vou vivendo uma vida bem vivida.
E o vinho é parte desta história, sempre.

E as companhias também. Dividir uma garrafa de vinho é sempre uma experiência muito boa.

Destes pequenos prazeres se podem tirar muitas coisas, muitas lições. Viver uma vida bem vivida pode ser apenas isto: um monte de pequenos prazeres, um monte de brindes, um monte de sorrisos, um monte de vinhos bem bebidos.....

Vinho e Vida, o prazer de uma vida bem vivida....

*uma homenagem ao querido amigo Rombrayner para sua pronta e rápida recuperação.....boa sorte meu amigo...que possa viver sua vida bem vivida logo...

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Robert Mondavi Zinfandel - 2008


Este é um daqueles vinhos que chamo de vinho de oportunidade. Passou pelo Free Shopping, não deixe de comprá-lo.
A Zinfandel é uma uva muito pouco conhecida aqui no Brasil e diria no mundo todo de forma geral. Sua origem é Italiana, mas foi na California, nas mãos dos Mondavi que ela vem ganhando destaque.
Comparando com as uvas tintas mais conhecidas ela seria uma cepa entre a Merlot e a muito mencionada no Chile Carmenere.
Assim dá origem a vinhos leves e frutados, fáceis de serem tomados.
Este assim o é. Vinho bacana e com uma relação custo benefício muito boa. No Free Shopping do Rio de Janeiro sai por U$19,00. Infelizmente aqui no Brasil ele esta muito caro.
O vinho:
Na taça vermelho rubi, com reflexos violáceos, bonito na taça.
No nariz, frutas vermelhas e um pouco de chocolate e baunilha. Bem leve.
Na boca, macio e leve, mas com estrutura e continuidade.
Um bom vinho e bom representante desta uva.
Vai bem com uma carne vermelha leve ou um prato "branco" bem estruturado.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Alamos Cabernet Sauvignon 2008


Em recente viagem a Argentina, este foi o primeiro vinho que lá tomei, pois estava no restaurante do hotel e não havia muitas opções. Gratíssima surpresa.
Este vinho é produzido pela famosa Vinícula Catena Zapata, que produz vinhos de altíssima qualidade e renome como os D V Catena e Angelica Zapata. São vinhos premium e disputam notas nas principais publicações do mundo com vinhos da França, Itália, Espanha, etc...
Este Alamos, seria assim o primeiro vinho desta vinícula, o mais popular e simples. Mas foi elaborado com muito capricho.
Metade dele passa 9 meses em barricas de carvalho Francês e a outra metade em carvalho Americano, o que confere ao vinho bastante estrutura e qualidade.
Vamos ao vinho:
Na taça vermelho rubi intenso com lágrimas espessas e bonitas. Reflexos violáceos nas bordas.
No nariz muita fruta vermelha madura, ameixa, amora, couro e baunilha bem presentes também.
Na boca um vinho sedoso e macio. Bem equilibrado e agradável. É fácil abrir uma segunda garrafa. Um vinho muito elegante.
E o melhor, uma ótima relação custo benefício. Aqui no Brasil voce pode encontrá-lo em várias lojas da internet. Na Mistral (mistral.com.br) esta por cerca de R$30,00 a garrafa.
E um adendo, uma vez comprando na Mistral regularmente eles lhe enviam seus catálogos de vinhos e acessórios. São magníficos. E além de bonitos contém muita informação.
Uma boa dica.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Figaro rouge 2006 (Mas de Daumas Gassac)


Ao fazer minha primeira compra com a Mistral (mistral.com.br) me deparei com este vinho com um preço razoável. Fico sempre desconfiado, pois vinhos do velho mundo, quando baratos são quase sempre sinônimo de coisa ruim, como já escrevi aqui algumas vezes.
Este vinho esta por cerca de R$31,00 na Mistral e é claro trata-se de um vinho bem simples, mas que fica interessante como contraponto aos vinhos do chamado novo mundo. É um vinho bem leve, em que nada é marcante, como por exemplo o excesso de fruta dos Chilenos e Argentinos.
Um vinho para o dia a dia e com um toque de leveza típico dos vinhos franceses.
Na taça vermelho granada com lágrimas medianas.
No nariz, morango, groselha, tudo bem tênue.
Na boca um vinho leve e relativamente macio. Fica melhor quando esta ao redor dos 18/19 °C.
É um vinho para ser acompanhado de comida. Uma almoço leve e do dia a dia.
Um bom exercício é fazer uma degustação as cegas comparando-o com um Sul Africano ou Chileno bem típico (um Tarapacá Gran Reserva, por exemplo) e ai procurar capturar as nuances e características de cada um.
Não é um vinho de primeira linha (aliás é um vin de pays, ou vinho de mesa), mas é bem interessante.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Casa Valduga Premium - Merlot - 2005


Como já escrevi aqui outras vezes, a ausência de rótulos nacionais não é proposital, mas uma consequência.
Vou falar um pouco desta consequência:
A cerca de 1 ano e meio comprei duas garrafas deste Casa Valduga Cabernet Sauvignon.
A primeira garrafa tomei imediatamente. A experiência não foi boa, mas resolvi então guardar a segunda garrafa para uma análise posterior.
Recém chegado de uma viagem pela Argentina, resolvi então colocar este vinho a prova.
Acho que não foi uma boa idéia, pois acho que estava muito exigente....rsrsrs.....
Brincadeiras a parte, uma vez mais, apesar de não ser minha intenção neste blog, tenho que criticar um vinho.
Cada garrafa me custou cerca de R$40,00. Definitivamente não vale a pena. É com certo pesar que escrevo, pois gostaria muito de estar comparando-os com vinhos daqui mesmo dos nossos hermanos. Não tem como, por R$40,00 esperava algo muito melhor.
Vamos ao vinho:
Na taça vermelho granada, com lágrimas bonitas.
No nariz, couro, azeitonas pretas, frutas bem maduras, mas muito fechado.
Na boca áspero e sem equilíbrio. Meio amargo no final.
Enfim, um vinho sem estilo, sem equilibrio.
Em minha opinião nossas vinículas deveriam investir naqueles vinhos que realmente tenham potencial, os brancos e espumantes, e definitivamente aceitar que não temos terroir para os tintos.
Na Argentina, por cerca de R$20,00 toma-se vinhos muito competentes e que somente comprovam que uma frase simples serve para definir bem até mesmo este sofisticado mundo do vinho: "CADA QUAL NO SEU CADA QUAL".
Então é isto, enquanto um vinho intitulado "premium" se apresentar desta forma, consequentemente vou ter que continuar escrevendo e bebendo mais dos vinhos de outras terras...

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Vinho Tinto no balde de gelo. Pode?


O assunto é recorrente e muitos já escreveram sobre. Porém, volta e meia sou arguido sobre este tema. Então ai vai:
O mantra de que vinho tinto se bebe na temperatura ambiente já esta caduco e todo mundo sabe que isto se refere a Países / Regiões de clima temperado. Mesmo assim, nestes locais não é esta a temperatura ambiente durante todo o ano. Portanto, antes de tudo o importante é que a guarda do vinho seja feita na temperatura adequada. Se você tem uma adega climatizada, algo em torno de 15°C ajustado é bem razoável. Bons restaurantes sempre terão uma adega climatizada.
Assim, uma vez servido o vinho irá aquecer lentamente e ao final da garrafa provavelmente estará a temperatura ambiente. É claro que estamos falando de temperaturas ambientes razoáveis para se apreciar um vinho tinto. Mesmo em lugares frios, nos recintos que normalmente se esta tomando vinho, a temperatura provavelmente estará por volta dos 23 °C, considerada a temperatura de conforto. Então esta elevação não será tão rápida e em certos aspectos irá até beneficiar a degustação, nos permitindo observar as variações que irão ocorrer.
E o vinho no balde de gelo? Pois é, se isto é necessário é porque provavelmente ou o vinho estava armazenado de forma incorreta (muito acima dos 15°C mencionados), ou esta fazendo um calor danado. Neste caso eu tenho uma sugestão: saque uma loira bem gelada e deixe este vinho para um dia mais propício. Outra opção: um espumante, ai sim no balde de gelo, vai fazer bonito e é bem agradável.
Gelar um vinho tinto vai fazê-lo ficar muito tânico (prendendo a boca) e seus odores e sabores irão desaparacer. Uma leve resfriada para contornar um imprevisto é razoável, mas sempre com a atenção de não deixá-lo ficar muito frio.
A propósito, a temperatura ideal para vinhos tintos é entre 16 °C e 18°C. Menos para vinhos leves e ligeiros e mais para vinhos mais estruturados e encorpados.